... e dos cacos que restaram se recompôs. é
claro que faltavam partes, ainda haviam rachaduras, muitas cicatrizes
que já nem se importava em ter; algumas até davam orgulho, tal qual
marcas de guerra, algumas até eram mesmo [..] não ligava mais
pro choro, tristezas ou mazelas da vida. por vezes parecia nem sentir
nada grandioso,algo novo,as borboletas no estômago, sentia apenas uma
ponta aguda de saudade de acreditar nos contos de fadas, nos romances
juvenis; decidiu por fim não se importar mais, só deixar acontecer para
que então as coisas aconteçam....
acúmulos
acúmulos
14:11 @Tiabetok 1 Comentários
Nossas prisões; especular, cogitar, viajar no tempo ou
simplesmente estagnar nele. Não ir por preguiça de voltar. Não ser pra não ter
que assumir. Se omitir na vida preguiçosa com felicidades disfarçadas na
internet e tv a cabo; fotografias com sorrisos falsos, olhos tristes sem nem
saber por quê; dias que passam, coisas se adiam em cima de outras que se
acumulam. Não dá mais pra tentar dar fim em coisas que findam por elas mesmas,
já foi, já era sem nem chegar a ser algo; resta então [re]colher o que está por
aí, acumulando o que há de bom, livrando-se do que não serve e acomodando-se
mais uma vez em travesseiros macios e chocolate quente nas noites frias de
março...
07:12 @Tiabetok 1 Comentários
Trocando os bichinhos de pelúcia por bolsas, as roupinhas bobas pelo vestido preto sensual, no rosto produtos que até hoje nem sabe ao certo para que servem, rímel, blush, primer e todos esses nominhos que de certa forma são engraçados. Sobrancelha feita pela primeira vez – tardiamente – que realçou sua expressão blasé, ela sabe que é. A coragem de usar aquele batom vermelho que sempre achou um charme junto daquele escarpam preto altíssimo que a mãe costuma usar. No cabelo, bobs; lentamente o roupão se abre; se analisa; descobre as curvas que sempre cobriu, se exibe, faz caras, bocas, beija o espelho e ri...
Procura o vestido mais ousado que tem – e nunca usou – mexendo o corpo no ritmo de um bom jazz. Não que tenha ficado vulgar, mas é que ninguém esperava vê-la de tal forma, tão sexy, tão diferente dela; talvez uma forma brasileira de Jessica Habbith , quem sabe... dança como se quisesse seduzir as paredes, obrigando-as a se movimentarem e todos ao redor pararem somente para observa-la, pede um drink sabendo que não vai pagar, pede dois e três e sai, cambaleando, rindo, descalça na calçada esperando chover; não chove; tudo bem, ela segue...
e segue...
sabe-se lá pra onde...
mas ela vai...
em frente.
onde tudo escapa
onde tudo escapa
13:18 @Tiabetok 3 Comentários
o desejo sendo substituído pelo descaso. Horários de ir para a cama alterados, desconexos sem mais interesses ou preocupações. os 10 minutos agarrados antes de dormir tornaram-se uma tortura e usamos um beijo chocho e o desejo de bons sonhos para escapar de mais toques... desculpas em cima de desculpas; sem um por que específico, nada de traições ou brigas pesadas, apenas olhos tristes circulando pela casa arruinando o que tinha de melhor em nós dois... Melancolia talvez, ou simplesmente TPM. O medo de assumir que terminou e perceber que foi só uma crise boba como as de todos os outros casais. Ando cansada de toda essa merda. Ainda não consigo conciliar os deveres com os quereres e as precisões. Nem consigo entender a minha prisão e a sua liberdade, e nunca entra na minha cabeça esse seu papo de "que é diferente" é tudo diferente; você é diferente agora. Não sei no que nos tornamos ou se ainda estamos em uma espécie de transformação conjugal para ser alguma coisa, mas do jeito que está não dá pra ficar meu bem... Sinto falta dos teus telefonemas embriagado as altas horas da manhã , da forma desconcertada que ficavas enquanto eu te provocava, do sexo rápido no sofá e de todos os outros perigos; da atenção, o carinho, o beijo... aquele beijo que a tempos não damos...
por onde ficaram todas essas coisas???
carta - mais talvez[es]
carta - mais talvez[es]
16:40 @Tiabetok 0 Comentários
Sei que a dias não te escrevo, amigo, me perdoe esta ausência que cá estou para explicá-la. Tem doído, sabe? esses dias frios de noites tão escuras que volta e meia me esbarro nos próprios sentimentos que espalhei para decorar a casa. e o pior é não saber o que se passa, so sei que algo mudou. Talvez eu esteja mais amarga; ninguém disse que a vida a dois seria fácil, mas também ninguém me orientou sobre todas estas dificuldades [...] e permanecemos juntos, desfocados nas fotografias. Algo em nós se perdeu; procuramos sobe os lençós e dentro do guarda roupa; também naquela lanchonete que a muito não frequentávamos e não achamos nada nas garrafas de bebida que juntos esvaziamos. Chegamos bem perto de "sei lá o que" quando finalmente descansamos e me pus sobe seu colo um tanto ofegante onde eu - inconscientemente - sabia o intervalo certo de sua respiração e o acompanhava para que nem o menor dos movimentos pudesse estragar aquele momento, e ele afagava meus cabelos e braços, não como de costume, mas com aquela ternura não que dividíamos a tempos ...
Posso estar errada com relação a estes achados e perdidos e neuras de mulher apaixonada; talvez nós só estivéssemos cansados de nossos afazeres e sem tempo para o amor ; acabamos sentindo falta de dengos e mimos e com muita vergonha de parecer tão adolescente carente para o outro... talvez tantas coisas; talvez as coisas se resolvam, ou nem precisem de resolução, talvez eu deva esperar mais um pouquinho, esperar faz bem; o tempo é mágico
♫
Ouvindo:
O Tempo - Barbara Eugênia
♫
Antigamente era janeiro
Antigamente era janeiro
12:19 @Tiabetok 0 Comentários
Quando eu digo saudade, é saudade mesmo. É uma coisa de fibras e músculos, nervos e vísceras, que vem de muito dentro, que se arranca de uma profundidade que nem eu sabia que existia. É uma coisa tão acachapante. Não é uma dessas saudadezinhas de dois tostões que todo mundo tem. Meu negócio é o extremo do extremo. É uma energia que rasga a cortina, desmonta a cena e me leva embora. E pode levar você também... você entende?
entende isso?
é como se, por diversas ocasiões, misticas ou não;
negar veemente o que sentimos pelo outro acaba sempre por falhar,
por mais que lutemos em dize-lo para logo depois contradize-lo...
cansamos de estar separados tanto quanto cansamos de estar juntos ...
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